domingo, 17 de outubro de 2010

a casa.

Hoje, não posso mais me entregar a bebedeira, pois o corpo não aguenta, fique lúcida meu bem, realize, tenha foco, neutralize suas paixões, não se entregue, não se junte, individualize-se. Mas e quando a gente quer ser parte somatória das coisas, não basta tudo e eu ainda tenho que ser simplesmente um, e quando já se sabe ser um, já me descobri como indivíduo, daí vem novamente o erro, estou na mesma frequência que você, também me perdi (ou me complementei?), mesmo sabendo quem sou eu, e o que quero, mas não é perdoável quando se erra por amor?
Das outras vezes eu rezei, pedia a Deus com um fervor tão grande que não acreditava no fato dele não me ouvir, era muito digno, era muito doloroso... hoje não consigo, é como conversar com as paredes, o que uma parede branca pode fazer por você. Eu, dentro do meu desespero achava que se pedisse ele me ouviria, se existisse ouviria? Deus está preso a minha idéia de realizador dos nossos sonhos, um objeto para meu otimismo, porque se peço, então acredito, se acredito pode acontecer, se acontecer eu serei eternamente grata, e sua palavra, eu, na minha insignificância passaria adiante. Claro, que olhando o meu passado, fico feliz por ele não ter me atendido, se não o fez era por uma razão óbvia: a do que viria depois! E agora, peço ou não peço, valeria a pena pedir, devo tentar falar com o senhor? Estou cheia de dúvidas. Perdi as referências, se você que era meu mais que amigo foi-se, quem então vai ficar? Peço ou não peço?
Eu já sei ser um, vamos brincar de outra coisa vamos. Vamos quem mesmo?
Deus é para os fortes, é para os que acreditam, só basta acreditar, tudo começou quando vira minha mãe o buscando em lugares distintos, acho que no fundo ela sabia que ele não estava em parte alguma já que ele não estava dentro dela. Estava? Mas, ela era muito simples, e aquele era outro tempo, hoje as coisas ainda são difíceis, mas posso aqui dizer que tenho todas as dúvidas sobre o fato dele existir, talvez sequer pudesse negar essa existência superior, definitivamente, para ela estava fora de questão.
Na verdade ela morreu, já faz muito tempo, buscou deus, buscou ser dois, dividiu-se então no que somos nós, eu e meus irmãos. Nunca soubemos ser uma família, cada um se salvava como podia, tenho pena do que vi, tenho pena de mim sim, mas minha pena maior vem do fato dela ter naquele momento criado seres egoístas, doentes, amargos, que não se respeitavam, sequer se viam como irmãos, ela era a única que ocupava todo o espaço, e a gente se exprimia tentando ser alguma coisa, qualquer coisa...o que se deu conosco? Será que vocês se salvaram? Será que eu me salvei, deus existe? Quem são os escolhidos...e eu ainda tenho muita sorte.
Meu pai? Tenho pena dele também, não soube conduzir a própia vida, pois foi tomado pelos excessos, perdeu-se dentro dos números, como tantos, nunca nos viu como seus, quando a viu como mulher? Tenho pena deles, compaixão, e quem se importa? Sempre me pergunto sobre quem se importa.
E me arrasto pela casa vazia, pensando no passado infantil, no passado de agora pouco, descobrindo a ausência em mim, uma casa cheia de comôdos vazios, mas sou apenas uma, e só preciso de um lugar para estar, o resto é espaço, eu sou melhor quando sou dois, mas agora tudo está apenas dentro de mim. Diriam: -Todo mundo é substituível.
Digo: -Mas na medida de sua importância.
Que peso cada um tem para o outro agora? Qual a importância? Importa-se?
Já faz tempo que não arrumo a cama, a casa pouco importa. A cama...era nossa igreja, não, era nosso altar, um sobre o outro, sabíamos de nossa fragilidade, o toque alentava nossas dores de viver. O que é viver agora, você já sente a brisa da liberdade? Eu não me sinto livre, não me sinto maior, não sou mais. Os jovens e suas imprudências, rapidamente condenam todos a morte, pois a vida é longa, até quando é longa?
Hoje tudo está igual a dez anos atrás, eu já sei que não sou mais a mesma pessoa, mas as coisas se repetem, mas como as coisas se repetem se eu não sou mais a mesma pessoa?
A comida vai esfriar! Você vem?





Um comentário:

Anônimo disse...

deus é um canalha, se existe, está pouco se lixando com sua dor.