sábado, 1 de dezembro de 2012

uma honesta conversa com clara

clara,
eu estou louco, sou um louco, eu não institucionalizei o amor, anarquizei. nem sei porque te ligo pela madrugada, queria algum conforto em meio ao pó e a bebida que traguei, queria você naquele instante, mas e amanhã, amanhã ninguém sabe. acho que eu sei. clara, talvez amanhã eu não me importe com seu colo quente, sua boca, o cheiro de entre suas pernas, porque amanhã outra me tomará, me tomará a alma e você será ninguém de novo.
clara, mas eu penso muito em você e eu até que me lembro por um instante que talvez sejas uma mulher, sim, eu sei que você é uma mulher, você tem formas de uma mulher...eu me lembro que você existe além do meu gozo, me desculpe, infelizmente isso logo passa. eu não sofro com isso?...e você sabia de mim? clara, você está me escutando?
eu estou tentando manter os pés na terra, mas meus devaneios sobre o nada me tomam tanto tempo e além disso que me vale saber? de que me vale escutar, você me disse que vivia em um mundo surdo, você acha que eu não te escuto? que eu não me importo? eu me lembro de tudo, eu me lembro de tudo o que você disse...
talvez eu tenha me esquecido de alguma parte, talvez você não tenha dito nada mesmo...por favor, não tente nascer a culpa em mim. eu não aceitaria, porque da culpa viria o perdão, e não há nada a se perdoar, e estou bem, eu estou tentando ser uma pessoa melhor. mas eu não tenho muito tempo, na verdade eu até tenho todo o tempo, mas eu estou bem. mas talvez não agora...

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